Entre a Ordem e o Caos: Um Pacto com a Presença

Estava pensando sobre a minha lista de afazeres, eu mantinha uma lista em que anotava tudo que eu queria fazer e, também, o que eu deveria fazer, todas as pendências, atividades referentes a projetos, rotinas da casa e de autocuidado, tudo. Uma lista só. Imensa. Durante o dia, acrescentava a ela, tudo que me lembrava ou vou observava andando pela casa.

Tirava tudo da cabeça e colocava no papel. Essa lista deveria estar me aliviando, mas me sufocava, porque eu nunca conseguia fazer mais tarefas do que elas apareciam. Eu variava entre fases: uma fase de realizar algumas atividades e até me sentir progredindo; e outra fase em que largava mão de tudo e tentava me sentir um pouco mais leve. Era angustiante nunca ver a lista diminuindo e isso consumia toda a minha energia e impedia a minha percepção de progresso.

A verdade é que eu me sobrecarrego demais. Quero dar conta de tudo com presença, beleza e verdade. Mas o tempo parece escorrer pelos dedos, e a casa — o espaço que deveria me acolher — parece sempre fora do lugar. É como se, mesmo tentando manter a ordem, ela estivesse prestes a desabar sobre minha cabeça.

Talvez a bagunça externa seja o reflexo da bagunça interna. E a lista sem fim seja a tentativa de corresponder a uma versão ideal de mim mesma — uma versão que dá conta de tudo, que é produtiva, afetuosa, equilibrada e presente, mas que ainda não é real.

Para reduzir a sensação de sobrecarga, decidi dividir a minha lista em quatro: uma lista de rotinas, em que anoto a quantidade de minutos gasta em cada uma por dia, uma lista de pendências pessoais, uma de atividades de projetos e a de pendências da casa. Na última, usei o conceito shalom: nada faltando, nada quebrado e nada fora do lugar. Assim, minha lista de pendências da casa ficou com três colunas: Faltando; Quebrado; e Fora do Lugar.

Durante o dia, anoto as coisas que já realizei, mesmo que não estejam na lista. Dessa forma, ficou um pouco mais leve. Apesar de não conseguir realizar a imensa quantidade de itens que eu gostaria em um dia, porque ele teria que ter muito mais do que 24 horas, eu consigo ter noção do progresso e, principalmente, mapear quais rotinas e atividades estão gastando mais o meu tempo.

O próximo passo é definir a quantidade máxima de itens por dia, ou de tempo diário a ser gasto por lista. E, mesmo se sobrar tempo, respeitar esse limite, fazendo um pacto com a minha energia e o meu bem-estar.

Depois, quero identificar quais rotinas e pendências podem ser delegadas. Eu posso aceitar ajuda. Eu posso desacelerar. Posso parar de tentar vencer tudo, só viver o que cabe no hoje. E isso também é presença.

Se você também está cansada, sobrecarregada, tentando manter a ordem sem se afogar… respira comigo. A casa não precisa cair. Talvez ela só esteja te convidando a voltar para si mesma.

Com carinho,

Rochely 🤎


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