Um Olhar Amoroso Sobre a Autossabotagem

Muitas vezes, antes de começar uma tarefa importante, daquelas que podem mudar minha vida, abrir portas ou concretizar um sonho, eu sinto um desejo súbito de pegar um doce ou algo gostoso para beber, mesmo sem fome física. Isso tem raízes sutis e mensagens ocultas. É um impulso quase automático que se repete dia após dia, como se minha mente dissesse: “Ei, preciso de acolhimento antes de entrar nesse desafio.”

Às vezes, a mente busca prazer imediato como forma de compensar tensão, evitar esforço mental ou até criar uma sensação de conforto. E o açúcar ou uma comida gostosa) é uma forma simbólica de acolhimento, como um abraço rápido que alivia a ansiedade. Isso não é “errado”: é só o sistema tentando se regular da forma que aprendeu.

Encarei isso como um hábito por bastante tempo. Mas hoje eu sei que é muito mais profundo.

Talvez, dentro de mim, haja uma parte que sente ansiedade diante da entrega e que teme não dar conta. E o simples ritual de parar para ingerir alguma coisa é como um abraço, uma tentativa de aliviar o peso emocional do que está por vir.

Mas esse padrão, por mais “doce” que pareça, fala de uma autossabotagem silenciosa.

Uma fuga diante do medo de errar, do medo de falhar ou de não atender às expectativas. Uma necessidade de controlar a performance e buscar garantias emocionais que me tranquilizem antes de mostrar ao mundo quem sou.

Mas eu reconheço que em mim existe uma mulher forte. Muito forte, aliás. Que, na infância, quando sentia ausência de conexão emocional materna, aprendeu a ser independente e cresceu achando que dava conta de tudo sozinha.

Então eu me pergunto: Como posso me nutrir emocionalmente sem recorrer a distrações? Como criar uma rotina amorosa de acolhimento antes de começar algo importante?

Hoje, com consciência e gentileza, eu escolho não continuar nesse “modo sobrevivência”. Quando esse impulso aparecer, vou parar e escutar o que ele quer me dizer. E ao invés de entregar um doce, vou oferecer presença. Respirando fundo por 2 minutos, fechando os olhos e dizendo a mim mesma:

“Eu confio em mim. Essa tarefa é uma ponte, não uma prisão.
Não preciso me anestesiar. Posso agir com leveza.

E assim, eu sigo. Farei o que precisa ser feito. Com gentileza e sem perfeição.

Se esse texto ressoar com você, te convido a observar: o que sua mente te pede antes de enfrentar algo importante? E que parte de você está pedindo cuidado, antes de exigir ação? Pode ser que ali esteja um convite para sua cura. 🤎