Ame-se Apenas por Ser Quem Você É

Durante grande parte da minha vida, a minha bússola emocional apontava para uma única direção: o amor do meu pai. Quando criança, eu acreditava ser a pessoa mais importante da vida dele. Me sentia vista e amada por ele. Me recordo de, por diversas vezes, dormir chorando aos 6, 7 anos por medo dele morrer. Era a minha única fonte de segurança em casa. Meu mundo só fazia sentido porque eu ocupava aquele lugar especial. Em contraste, minha relação com minha mãe era marcada por uma ausência afetiva — uma lacuna que eu não conseguia entender, mas que doía.

Aprendi a tirar boas notas para me sentir amada, aprendi a ser comportada para me sentir amada, a ser obediente, responsável.. Cresci buscando esse mesmo tipo de amor externo. Me apaixonei muitas vezes, quase sempre de forma platônica. E, em cada rejeição, a voz interna dizia: você não é suficiente, não é boa o suficiente, não merece esse amor.” Mas carregava a certeza de que meu pai me amava, era só eu ser uma boa menina.

Quando comecei a entender que eu não era a prioridade dele, me perdi de mim, como se a base que sustentava minha identidade tivesse desmoronado. Passei anos tentando, inconscientemente, recuperar “o meu lugar”. Eu amava mais a ele do que a mim. E, para manter esse amor, fiz concessões silenciosas. Engoli nãos, aceitei ouví-los e, muitas vezes, deixei de dizê-los. Me moldei. Me silenciei.

Até que ontem me caiu uma ficha silenciosa e impactante. Percebi que meu valor estava inteiramente pautado no valor que ele me dava. Será que eu já me amei de verdade?

A resposta, dolorosa e libertadora: “acho que não”. Eu não me amava apenas pelo que eu era. Só me amava quando fazia alguma coisa que parecia importante. Eu me buscava nos olhos dos outros. Eu me media pela intensidade com que era aceita. E, ao fazer isso, deixei de me enxergar.

Mas hoje, com essa consciência, algo novo começa a nascer. Um amor que não depende de aplausos, nem de confirmações externas. Um amor que olha para dentro e diz: Você é suficiente. Você é inteira. Você é sua. E você é livre.

Estou aprendendo que meu valor não está em ser a prioridade de alguém, mas em me colocar como prioridade na minha própria vida.

Esse texto é um convite — para mim e para você — a fazer as pazes com a própria essência. Eu abraço a criança que fui, cuido da mulher que sou, e caminho com coragem rumo à mulher que quero ser.

Porque o amor próprio não é um destino. É uma jornada. E eu estou, finalmente, a caminho.

Com gratidão, Rochely.


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